Manual de Vivência de Pessoas Vegetarianas parte 1: a famigerada B12

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O Beringela está iniciando uma série de pequenos textos para ajudar todo mundo que tem interesse pelo vegetarianismo a entender melhor como esse estilo de vida funciona na prática. A primeira questão que vamos deixar clara é a seguinte: vegetarianas e vegetarianos não têm de SOBREVIVER a sua própria condição alimentar e ideológica. Se você acha que sua decisão é um incômodo e que mais te dá trabalho do que alegria e satisfação, talvez seja a hora de repensar como você vai lidar com isso. Coloque na balança e tente perceber que sua qualidade de vida deve estar equilibrada com sua dedicação aos movimentos nos quais você acredita. Por isso estamos chamando esse Manual de Vivência, porque apesar do vegetarianismo ser uma luta por direitos, não deve ser levado como uma luta contra você mesmo.

 

Assim sendo – colocando as cartas (e as dificuldades) na mesa -, vamos logo começar as polêmicas e falar sobre aquele que é o argumento mais comentado contra o vegetarianismo: a problemática, misteriosa, cultuada e famigerada vitamina B12! Em primeiro lugar, são verdades as falas de que a vitamina B12 é muito importante para o organismo, mas em geral não se leva em consideração o fato de ela ser uma vitamina extraordinária, sendo necessária em doses menores do que qualquer outra vitamina conhecida. A carência de B12 começa a apresentar sintomas por volta de 5 anos após a identificação do seu déficit no corpo, podendo se manifestar em anemias ou danos ao sistema nervoso.

 

Mas precisamos esclarecer uma coisa sobre a B12 urgentemente: as carnes NÃO SÃO as ÚNICAS fontes dessa vitamina. Em primeiro lugar, alguns alimentos de ordem vegetal específicos também são fonte natural, como algas (spriulina e nori), a cevada fresca e o tempeh (alimento fermentado a base de soja). Além disso, muitos preparos vegetarianos e veganos são enriquecidos com B12, especialmente produtos industrializados que já são processados, tendo por objetivo a substituição da vitamina, como cereais matinais, leites vegetais, achocolatados em pó e creme de amendoim. A questão é que esse tipo de alimento deve ser consumido em pequenas quantidades, de 2 a 3 vezes por dia, para que sua B12 esteja equilibrada a longo prazo.

 

Existem, também, diversos tipos de suplementos de base vegetal específicos para o controle da B12, com grande facilidade de acesso e com tipos de dosagem diferentes (diário ou semanal, por exemplo). Mas, antes de tomar qualquer decisão a respeito de reposição de B12, VÁ AO MÉDICO E FAÇA EXAMES PERIÓDICOS! Isso é essencial para verificar TODOS os níveis nutricionais e, especialmente, porque a B12 pode não ser o seu problema. Na verdade, muitos vegetarianos não têm qualquer déficit de B12 durante toda a vida (como é o feliz caso desta que vos fala – até agora); cada organismo reage de forma diferente a mudanças alimentares e pode ter estoques genéticos diversos. Isso se aplica também ao fato de que pessoas que comem carne também podem ter deficiência de B12, tanto quanto vegetarianos.

 

O que uma letra e dois números não geram – de dentro pra fora e de fora pra dentro – né? Se tem alguma informação que queres compartilhar ou dúvida sobre esse assunto, conta pra gente que vamos adorar saber! Em breve, por aqui, mais informações sobre o universo amplo e dinâmico do vegetarianismo.

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